Pequena mostra da situação da profissão dos professores em concursos de Prefeituras pelo Brasil, comparado a profissões que não exige nível de escolaridade.
Instituição | Cargo | Local de trabalho | Carga horária | Formação exigida | Vencimento |
Prefeitura de Monte Alegre - Go | Professor P-III | Zona urbana e Kalunga | 40 horas semanais | Licenciatura Plena em Pedagogia |
R$ 510,00 |
Prefeitura de Monte Alegre - Go |
Pedreiro |
Zona urbana | 44 horas semanais | 1ª fase do ensino fundamental |
R$ 750,00 |
Prefeitura Municipal de Arraias - To |
Professor P-II |
Zona rural | 20 horas semanais | Pedagogia ou Normal Superior |
R$ 600,00 |
Prefeitura Municipal de Arraias - To | Operador de trator de esteira |
Zona urbana | 40 horas semanais | Ensino fundamental completo |
R$ 800,00 |
Prefeitura Municipal de Moiporá - Go | Professor P-III |
Zona urbana | 30 horas semanais | Licenciatura plena em pedagogia |
R$ 750,00 |
Prefeitura Municipal de Moiporá - Go | Operador de máquinas |
Zona urbana | 40 horas semanais | Ensino fundamental incompleto |
R$ 1,000,00 |
Prefeitura Municipal de Moiporá - Go |
Tratorista |
Zona urbana |
40 horas | Ensino fundamental incompleto |
R$ 750,00 |
Fontes: Edital e regulamento do concurso n° 001/2009 das prefeituras de Monte Alegre de Goiás e Moiporá – GO, disponíveis no site www.torresadvogadosassociados.com.br e Edital n° 01 do concurso 01/2009 da prefeitura municipal de Arraias – TO, disponível no site www.makroassessoria.com.br
Comentário sobre a mostra da situação da profissão docente em concurso de prefeituras pelo Brasil.
Um professor ou professora necessita de um Curso Superior que pressupõe uma qualificação científica a partir da utilização de métodos sistemáticos e fundamentados teoricamente. Essa premissa é uma exigência humana para que os seres se aperfeiçoem em torno de sua própria evolução. Um professor ou professora, ao contrário dos demais profissionais deve ter formação polivalente para o atendimento a necessidades diversas apresentadas por um grupo de seres humanos agrupados em uma sala que recebeu o nome de SALA DE AULA. Numa sala de aula se desenvolvem desejos, expectativas, frustrações e distúrbios típicos da raça humana. Neste espaço esses sentimentos devem ser respeitados e desenvolvidos na perspectiva da saúde física, psicológica, social e moral dos homens e das mulheres.
Um Operador de Trator de Esteira também deveria frequentar um Curso Superior , como todo cidadão ,para ter mais independência e não ser obrigado a utilizar a esteira da máquina para destruir as árvores que sem nenhuma reação são podadas para produzir lucros e alimentar os caixas (um e dois) das EMPRESAS NACIONAIS E MULTINACIONAIS. Também um operador de máquinas deveria ganhar mais para melhorar as condições de vida de seus filhos e então poder dar-lhes uma boa e superior educação.
Os pedreiros por sua vez deveriam receber o máximo de uma sociedade humana que não mais sabe morar em cavernas, mas sim em belas casas e mansões confortáveis ,construídas artisticamente pelos trabalhadores da construção. Os pedreiros deveriam frequentar um Curso Superior realizado numa Universidade da Moradia. Após isso construiriam casas ecologicamente corretas, ganhavam mais dinheiro e até receberiam uma moradia mais digna resultado do seu honesto e sagrado suor.
No entanto os tratoristas ganham migalhas para contraírem doenças originadas da poluição das máquinas e do calor intenso a que são expostos. Os pedreiros ganham apenas o suficiente para não serem escassos do mercado, mas OS PROFESSORES E AS PROFESSORAS, esses ganham miseravelmente mal para cumprir seus atributos e status social, serem tratados ironicamente de mestres e cuidar da alma dos filhos pedreiros, dos tratoristas, dos médicos, dos advogados e até dos políticos que mesmo vivendo no planeta da abundancia mandam seus filhos à escola para se susterem de conhecimentos do professorado.
Quem é que vai cuidar da profissão dos professores e das professoras? Será que são os sindicatos? Será que é o governo? Será que são os empresários? Ou será que são os próprios profissionais que se organizarão em grandes congregações e conselhos próprios para preservarem econômica e deontologicamente o destino desta tão necessária profissão?
CONESTE – CONFERÊNCIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE GOIÁS.
Goiânia – Goiás, dias 13, 14, 15 e 16 de novembro de 2009.
Principais proposições de Campos Belos – Goiás - Pólo Jambo aprovadas nos colóquios e nos eixos temáticos como um todo durante a Plenária Geral e que serão encaminhadas para a CONAE – Conferencia Nacional de Educação a ser realizada em Brasília de 28 de março a primeiro de abril de 2010:
a) Educação Quilombola como política pública a ser priorizada pelas três esferas de governo. (Municipal Estadual e Federal).
b) Construção de Escolas Pólos Rurais equipadas para o atendimento das demandas da população do campo, tendo como um dos objetivos diminuírem as distâncias percorridas pelos alunos transportados.
c) Criação dos Conselhos Regulamentadores da Profissão Docente, que estabeleçam seu Estatuto Deontológico próprio e proteja a profissão dos professores como as demais profissões.
Relação dos delegados eleitos da Regional de Campos Belos – Pólo Jambo – que irão participar da CONAE – Conferência Nacional de Educação, que será realizada de 28 de março a 1° de abril de 2010:
a) Segmento profissional docente: professor Vagner Joaquim Moreira da Rede Municipal de Ensino de Divinópolis – GO, Pólo Jambo. vagnerjmoreira@hotmail.com
b) Segmento de pais de aluno: professor Adelino Soares Santos Machado da Rede Estadual de Ensino de Campos Belos – Goiás – Pólo Jambo. adelinomachado@ueg.br (professor da UEG de Campos Belos).
c) Segmento Técnico-Administrativo da Educação Superior pública: Leandro Ferreira Costa da Universidade Estadual de Goiás – Unidade Universitária de Campos Belos. leandro.ueg@hotmail.com
d) Segmento da sociedade civil organizada: professor Josivaldo Moreira Carvalho, representante da Pastoral da Juventude Rural. josivaldopjr@uol.com.br
Ressalta-se que o professor Rosolindo Neto de Souza Vila Real – Diretor educacional da Universidade Estadual de Goiás – Unidade de Campos Belos foi eleito Primeiro Suplente do segmento dos Dirigentes de Entidades Públicas Estaduais de Ensino Superior. rosolindoneto@bol.com.br
Adelino Machado – WWW.adelino.santos.zip.net
Campos Belos – Goiás, 17 de novembro de 2009.
ENCOFAMA - ENCONTRO DE CONFRATERNIZAÇÃO E CULTURA DA FAMÍLIA MACHADO DE CAMPOS BELOS – GOIÁS
REGIMENTO INTERNO
TÍTULO I – Sede, Natureza e Finalidade
Artigo 1° - o Encontro de Confraternização e Cultura da Família Machado de Campos Belos tem sede fixa na cidade de Campos Belos – Goias, em local público ou privado com capacidade para acomodação de no mínimo 150 pessoas, tem duração de um dia e é nominado pela abreviatura ENCOFAMA.
Artigo 2° - o Encofama é de natureza familiar, cultural e confraterna, sem fins lucrativos ou políticos, e tem por finalidade fortalecer os laços familiares através do lazer da diversão e da demostração cultural dos talentos artísticos da família, parentes afins e/ou convidados especiais.
TÍTULO II – Composição e Atribuições dos envolvidos.
SEÇÃO I – Composição
Artigo 3° - o Encofama é composto por pessoas da Família Machado de Campos Belos originárias de Taguatinga – To, ligados as raízes familiares descendentes do casal Manoel Evangelista [Machado] Barbosa e Francisca da Silva Oliveira.
Parágrafo Único: Fazem parte dessa família para o Encofama parentes afins como conjuges, noras, genros e os atletas do time de futebol amador Machado Futebol Clube.
SEÇÃO II – Funcionamento da Encofama.
Artigo 4° - o Encofama funciona uma vez a cada ano em data escolhida no encontro atual, ou data fixa, dependendo do que for acordado durante a aprovação do Regimento Interno da reunião do ano.
Parágrafo I: o Encontro é dividido em momento esportivo, momento cultural, momento formal, momento ecumênico e momento festivo, assim definidos:
o momento esportivo se desbobrará durante o dia com duas partidas de futebol: time de veteranos e time principal, contra a família Costa Madureira, no “Campo de Valdezinho” no setor Industrial;
o momento cultural constará de apresentações teatrais, musicais e/ou poéticas por artistas da família – com 40 minutos para apresentações;
o momento formal se constitui da aprovação do Regimento Interno, da prestação de contas e da entrega do “Machado Sagrado” - com 60 minutos de duração;
o momento ecumênico é o espaço para os líderes religiosos membros da família ou convidados proferirem a bênção ao encontro – com 30 munutos de duração;
o momento festivo constará de churrasco, música e dança, a partir das 22 horas.
Parágrafo II: as famílias deslocadas de outras localidades serão recebidas pelas famílias de Campos Belos de acordo com afinidade e escolha entre ambas.
SEÇÃO III – da programação e manutenção do encontro.
Artigo 5° - a programação do encofama é definida antecipadamente e divulgada pela comissão de organização a partir das seguintes partes.
I – jornada esportiva com a família costa madureira;
II – atividades culturais por talentos da família ou convidados especiais;
III – demostração de contas e aprovação do regimento;
IV – entrega do Machado Sagrado;
V - atividades religiosas ecumênicas;
VI – atividades festivas com dança e churrasco.
Parágrafo único: durante o período da 18 as 22 horas, serão exibidos fotografias e documentários da história da família.
Artigo 6° - O encontro é mantido por arrecadação de contribuições e doações de membros ou amigos da família.
Parágrafo I – as contribuições são obrigatórias até o valor de R$ 10,00 (dez reais) e facultativa a partir desse valor, sendo que a partir de R$ 50,00 (cinquenta reais) o valores e o nomes divulgados, com a concordancia prévia do contribuinte.
Parágrafo II – as doações acima de R$ 50,00 (cinquenta reais) em dinheiro ou em mantimentos secos e/ou molhados, também serão divulgados, com concordancia prévia, os valores e os nomes dos doadores.
SEÇÃO IV – Da comissão.
Artigo 7° - a comissão de organização do Encofama, tem como atribuição geral manter viva a tradição dos encontros, mobilizar e criar condições para a realização do encontro.
Parágrafo I - a comissão será eleita a cada encontro é composta por seis pessoas e terá as seguintes atribuições:
I - Elaborar programão e fazer contatos com todos os familiares;
II – organizar arrecadação e prestar contas;
III – zelar pelo regimento interno;
IV – transmitir o patrimônio imaterial da família anualmente;
Parágrafo II – a comissão terá a seguinte composição a cada ano:
I – coordenador(a) e suplente;
II – secretário(a) e suplente;
III – tesoureiro e suplente.
SEÇÃO IV – Atribuições do(a) Coordenador(a).
Artigo 8° - o coordenador ou seu suplente tem por atribuição sugerir programção e direcionar os trabalhos em seu ano.
SEÇÃO V – Atribuições do Secretário.
Artigo 9° - o secretário ou seu suplente tem por atribuições registrar as reuniões preparatórias; zelar pela lista de contatos e registrar os dados do encontro.
Parágrafo Único: cabe também ao secretário(a) ou seu suplente socializar as informações da programação e do encontro por meio de endereços eletrônicos.
Artigo 10° - o tesoureiro e seu suplente terão como atribuiçoẽs promover a arrecadação, registrar contribuições e doações e prestar contas no encontro.
SEÇÃO VI – do patrimônio imaterial da Família Machado.
Artigo 11° - são patrimônios imateriais da Família machado:
I – o time machado futebol clube, que terá diretoria e regimento próprios;
II – o jornal informativo da família machado, que terá diretoria e regimento próprios;
III – o machado sagrado da família machado, que ficcará sob a guarda do conselheiro mor da familia também chamado de Rei da Família;
IV – o site www.familia-machado.com
Artigo 12° - da transmissão do patrimônio imaterial da família;
Parágrafo I – o time de futebol será transmitido voluntariamente pelos seus dirigentes;
Parágrafo II – o jornal informativo será transmitido voluntariamente pelos seus editores;
Parágrafo III – o machado sagrado será transmitido em cada encofama conforme candidaturas e aceitação dos presente, sendo que o conselheiro atual pode ser reconduzido por várias gerações.
Parágrafo IV – o site www.familia-machado.com será transmitida sua administração voluntariamente pelos seus responsáveis atuais.
TÍTULO III – Disposições Gerais.
Artigo 13° - a ecofama será realizada todos próximo da comemoração do dia de natal e também da passagem de ano, na cidade de Campos Belos; terão convidados especiais e autoridades do município.
Artigo 14° - os atletas do time Machado Futebol clube farão parte subjetiva da família, bem como torcedores eleitos como especiais.
Artigo 15° - os casos omissos neste regimento interno serão definidos no colegiado da comissão, observando o consenso entre os membros.
Campos Belos – Goiás, 12 de novembro de 2009.
I SEMANA DE INTEGRAÇÃO ACADÊMICA E CULTURAL DA UEG E COMUNIDADE
Com o objetivo de integrar ainda mais a comunidade universitária à comunidade do Nordeste Goiano e parte do Sudeste do Tocantins, promovendo também um resgate artístico e cultural da região, a Universidade Estadual de Goiás – Unidade de Campos Belos, realizou a I SIACUC - I Semana de Integração Acadêmica e Cultural da UEG e Comunidade, nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2009.
A I SIACUC foi dividida em duas partes distintas: na primeira do dia 26 ao dia 28 ocorreu lançamento de livros, palestras, minicursos, apresentação de painéis e oficinas com temas nas áreas de letras, pedagogia e tecnologia e agropecuária. A segunda parte, nos dias 29 e 30 aconteceu o festival de música e poesia, com premiações aos telentos dessas duas modalidades, tanto da Unidade Unidade Universitária, quanto da camunidade: Campos Belos e demais cidades de abrangência da UEG.
A cerimônia de abertura presidida pelo professor Rosolindo Neto de Souza Vila Real, diretor educacional da Unidade, será no dia 26, segunda-feira as 18:30 min no auditório Dom Alano, na rua Rui Barbosa, praça da Bíblia de Campos Belos e contau com a presença de autoridades do poder executivo e legistativo da região. As palestras foram realizadas no mesmo local e o encerramento se deu no dia 30 de outubro com a entrega de prêmios aos melhores colocados no festival de música e poesia.
O grande diferencial da I SIACUC foi sua estreita ligação com a produção acadêmica da Unidade Universitária com apresentação e maior publicidade dos projetos de pesquisa e extensão, bem como a qualidade das palestras, dos palestrantes e expositores envolvidos na semana. Outro aspecto de alta relevante são os lançamentos de livros Nas trilhas da poética de Osman Lins: um estudo sobre a metaficcionalidade do professor da Unidade doutorando Flávio Pereira Camargo; Percurso da narrativa brasileira contemporânea – coletanea de de ensaios – organizada pelo mesmo autor junto com o professor Dr. João Batista Cardoso da UFG; Estudos sobre a literaqtura e linguística: pesquisa e ensino também organizada pelo professor Flávio com outra professora da Unidade Vanessa Gomes Franca.
Nesta semana foram oportunizados espaços de apresentação e publicação de trabalhos artísticos e culturais de alunos, professores e pessoas da comunidade, objetivando valorizar e reforçar a identidade cultural da população da região de abrangência da Unidade. Destaca-se também na I SIACUC a siginificativa parceria com a sociedade, na aquisição de patrocínios para manutenção do evento.
Vamos nós professores...
A profissão docente precisa ser reconhecida para ser respeitada e precisa ser respeitada para ser reconhecida. Somos vítimas históricas de instituições que exploram o trabalho do professor em diversas dimensões: como objeto do jogo político, como instrumento principal da aparelhagem estatal alienante, como sustentáculo de organizações sempre grávidas de interesses capitalistas neoliberais. Hoje só se fala na formação, na profissionalização, mas não se fala na regularização. Porque o discurso da formação é que sustenta a massificação, a proletarização, a precarização e a submissão.
Professores do Brasil! vamos criar nossos organismos próprios de regularização do nosso trabalho da nossa profissão. A essa altura da história não podemos mais esperar. Primeiro esperamos pela Igreja, ela privatizou o ensino; depois esperamos pelo Estado, ele está privatizando tudo. Será que vamos esperar pelas empresas privadas que valorizem nossa profisão?
Conferência Nacional de Educação – CONAE 2010: Algumas Armadilhas do Documento Referência.
Professor Adelino Machado[1]
O Documento Referência, subsídio para realização da CONAE 2010, deve ser analisado do ponto de vista crítico, principalmente por parte dos profissionais da educação, maiores interessados nos temas-eixos apresentados, que tem como objetivo construir o Sistema Articulado de Educação Nacional. Como todas as propostas elaboradas de cima para baixo, elas contém armadilhas que na maioria das vezes são aprovadas por absoluta displicência das equipes de estudos. Neste texto procuro abordar alguns pontos que mesmo numa leitura superficial, são detectados elementos que atuam em desfavor, principalmente dos profissionais que lidam diretamente com a educação – os professores.
A primeira armadilha trata-se da substituição sistemática da expressão “Profissionais da Educação”, adotada na LDB 9.394/96 e no Plano Nacional de Educação – Lei n° 10.172/2001, por “Trabalhadores da Educação”, tratamento que reforça ainda mais o sentido da proletarização que se encontra em estágio avançado. A diferença das duas expressões está no fato de que profissional se refere a uma atividade reconhecidamente articulada e organizada, com definição de carreira e código de ética, bem como a existência de Conselho Regulamentador, como em várias outras profissões. E trabalhador é um termo mais genérico dirigido a qualquer indivíduo parte do conjunto da mão-de-obra do setor produtivo capitalista, isto é, um operário. E, de acordo com Enguita (1991 p. 43), Um operário é um trabalhador que não só perdeu ou nunca teve acesso à propriedade de seus meios de produção, como também foi privado da capacidade de controlar o objeto e o processo de seu trabalho, da autonomia em sua atividade produtiva. O documento em estudo, ora diz profissional, ora trabalhador da educação como se fossem sinônimos. Aí reside a armadilha, pois a forma de tratamento poderá “naturalizar” uma mudança conceitual, que engendra uma mudança estrutural.
Noutra frente de investida para realização de mudanças que beneficie o atual sistema produtivo em detrimento da formação humana, se encontra no item 52, página 21 do documento, em flagrante contradição com o item 51 na mesma página. Neste caso abre uma enorme brecha para a manutenção de uma opção claramente privativista da educação, principalmente a educação superior. Trata-se do seguinte trecho: “A construção do sistema nacional de educação, por meio da articulação entre os sistemas de ensino de ensino, deve considerar as bases para a educação nacional como fundamento para a concessão para a educação no setor privado” (CONAE 2010, p. 21). Isso confirma a tendência do financiamento da educação superior pelo Estado através da concessão de bolsas, créditos e renúncia fiscal em favor das IES – Instituições de Ensino Superior privadas.
O Documento Referência faz ainda uma evidente apologia a EaD – Educação a Distância (itens 170 – 177) sem apontar nenhum mecanismo de controle e fiscalização para instalação, reconhecimento e credenciamento dos cursos. Essa modalidade já se constitui num fenômeno que teve crescido vertiginosamente a partir da década de 1990, com explosão de matrículas na entrada do século XXI, massificando ainda mais a formação de professores. A infinidade de cursos oferecidos e os milhões de matrículas neste sistema (EaD) está fora do controle dos órgãos fiscalizadores estatais e se instalam a partir do oferecimento de inúmeras facilidades em espaços reduzidos de tempo para conclusão.
Outro ponto que merece bastante atenção por parte dos profissionais de educação é a inexistência de reconhecimento de qualquer tipo de organização que fortaleça, regulamente ou mobilize o segmento profissional, (sindicato, conselho, associação etc.). As conseqüências desse desconhecimento se tornam perigosas na medida em que se pretendem criar um Sistema “articulado” de Educação Nacional, a partir do Estado como articulador, da iniciativa privada e da sociedade civil, deixando os profissionais da educação, passíveis das políticas públicas concebidas de cima para baixo. Além disso, o documento reconhece um “Conselho Técnico Científico” (CONAE 2010 p. 65 item 166), órgão vinculado à Diretoria-Executiva da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, entidade que elabora políticas e diretrizes específicas no que diz respeito “à formação inicial e continuada de profissionais do magistério da educação básica e a construção de um sistema nacional de formação de professores”. www.capes.gov.br . Mas é importante ressaltar que a Capes cuida da formação lato e stricto senso de professores, não da profissão dos professores.
A partir da leitura, ainda que superficial do Documento Referência da CONAE 2010, é fundamental que ele seja visto com bastante atenção e que sofra as interferências necessárias à sua aprovação, garantindo que os profissionais da educação não sejam apenas coadjuvantes do Plano Nacional de Educação que entrará em vigor em 2011. Insisto então, na urgente organização de um Conselho Federal de Profissionais de Educação – CFPE, bem como respectivos Conselhos Regionais de Profissionais de Educação CRPE, para, a partir daí regular eticamente a profissão, tendo em vista o exercício dela e a relação desses profissionais com seus empregadores (Veiga & Araújo 1998, p. 158). Adviria da instalação dos Conselhos de Profissionais da Educação, maior autonomia e fortalecimento da profissão docente. A CONAE 2010 se constitui em palco ideal para a criação dos Conselhos, já que estaremos reunidos para discutir Políticas Nacionais de Educação.
Referências Bibliográficas
CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO, CONAE-2010. Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação. Documento referência, MEC, 1° semestre 2009.
ENGUITA, Mariano Fernandes. A ambigüidade da docência: entre o profissionalismo e a proletarização. Teoria e Educação. Porto Alegre, Pannonica, n° 4, 1991, p. 41-61.
VEIGA, Ilma Passos de Alencastro. (org.). Caminhos da profissionalização do magistério. – Campinas, SP: Papirus, 1998.
GUILHERMINO MACHADO BARBOSA: UM HOMEM FORTE.
Nasceu no dia 23 de maio de 1931. Foi uma criança super ativa. Começou a trabalhar como vaqueiro aos 12 anos de idade; aos 14 anos sofreu uma doença rara que o paralisou completamente por vários dias. Sua família chegou a comprar sua “mortalha” – roupas e demais preparativos de sepulcro. Com essa doença perdeu todo cabelo da cabeça, que passou de cabelo liso a cabelo crespo. Ironicamente, a roupa que compraram para seu sepultamento ele as utilizou em festas.
Nos anos 70, quando ele tinha seus 40 anos sofreu de uma “anemia profunda” que ficou cinco anos acamado. Ninguém tinha mais esperança a não ser uma guerreira chamada Emília Soares dos Santos, sua esposa e nossa mãe, que enfrentou todas as diversidades até resgatá-lo com vida. Ela chegou a pedir esmola, para dar comida aos filhos. Nessa época Guilhermino procurou todo tipo de recurso de cura: curandeiros, centros espíritas, auto-medicação, etc.
Em 1981 Guilhermino enfrentou um grupo de pessoas armadas com espingardas, revolveres, foice, facão e paus. Era uma questão que parecia simples intriga de visinhos, que tomou dimensões maiores por envolver interesses de propriedade de terras, denunciadas naquela oportunidade. Guilhermino foi salvo pela intervenção de sua esposa que ajoelhou aos pés do líder do grupo e implorou: “não matem meu marido porque ele está bebendo”.
Desde adolescente Guilhermino bebia muita cachaça, fazia quebradeira e encerrava festas na redondeza. Mas para surpresa de todos abandonou todo o qualquer tipo de bebida e cigarro aos 48 anos de idade, no ano de 1979. Como sempre ele continuou dizendo que para o homem deixar de beber cachaça só precisa de “uma dose de capricho e outra de vergonha”.
Um homem destemido; nunca teve medo de enfrentar noites escuras e tempestuosas. Tropeiro, Guilhermino percorreu boa parte do Brasil a cavalo. Chegou a ir à Belo Horizonte – Capital de Minas Gerais, de onde contava várias histórias. Nesta viagem, acompanhado de um rapaz como ajudante, pousou na casa de um velho que faleceu naquela mesma noite. Como eram distante umas três léguas os moradores mais próximos a serem avisados dessa morte, eis um grande dilema: “o rapaz não ia sozinho nem ficava com o defunto”. Então tiveram que esperar o dia amanhecer porque Guilhermino teve que fazer companhia ao defunto e ao rapaz.
Guilhermino foi um grande dançador de valsa, era disputado pelas damas nos salões de festa. Foi muito namorador e tinha olhos encantadores. Após a morte de sua esposa, no entanto, se tornou um homem recuado no silêncio. Dava pouca conversa e não compartilhava suas dores. Aos 78 anos Seu Guilhermino, como era carinhosamente chamado, descansa em paz deixando 3 filhos (Adelino, Aldi e Maria da Gloria), 7 netos (Moisés, Marcos, Francisco, Sílvia, Camila, Guilherme e Rayanne) e 5 bisnetos. O médico que o acompanhou em sua morte disse o seguinte: “o Guilhermino é um homem forte que lutou para viver, até o fim”. Por isso ele merece um lugar de honra entre os destemidos, persistentes, ousados e autêntico homem da grande Machado de Campos Belos.
A ele nosso respeito e uma grande salva de Palmas.
Igreja Matriz de Campos Belos, aos três dias do mês de julho de 2009, as dez hora e dez minutos da manhã.
Adelino Soares Santos Machado.
UM HOMEM CHAMADO DE MESTRE.
* Adelino Machado
** Idonizeth Alves Pereira
A rua está deserta, o silêncio sucumbiu à saudade, morreu o poeta. O poeta, que antes de tudo é um forte, no entanto não morre de repente na memória de seus admiradores. Ainda mais quando esse poeta é “mestre”. Mestre & Zé: poeta, tocador de pandeiro, cantador, ritmista e repentista, agora morador das alturas, de paragens infinitas, numa casa construída nos confins da eternidade. Bem que o Mestre “Zé” poderia ser chamado de João-de-Barro de mãos incansavelmente construtoras.
José de Almeida nasceu em 1923 em Vitória da Conquista – Bahia. Casou-se com dona Ana Dias de Almeida, baiana de Barreiras – Bahia, com quem tiveram nove filhos. “Mestre Zé” chegou a Campos Belos no ano de 1963. Foi ele quem instalou a primeira padaria mecanizada e a primeira sorveteria da cidade. Ganhou a alcunha de “Mestre Zé” por ser um exímio construtor. Esteve à frente das grandes obras de Campos Belos e foi o primeiro chefe da SANEAGO, conforme relata sua esposa.
Tem a marca das mãos, a sabedoria e o carinho do Mestre Zé, o histórico prédio da Prefeitura, o Colégio Polivalente, o Hospital Municipal, o Balneário rio Bezerra, o Estádio Municipal Xeco, várias escolas municipais, as casas do residencial Morada Nova, meios-fios e calçadas, só para citar alguns. Na cidade de Barreiras – Bahia, onde se casou, Mestre Zé foi técnico de futebol além de exercer o cargo de mestre-de-obras em muitas construções daquela cidade.
Dona Ana, a viúva do mestre recorda bem como era nossa cidade, quando aqui ela e o “mestre” aportaram: “era quase tudo casas cobertas de palhas e levantadas de adobe”. Ela chora de saudade do mestre que foi o grande amor de sua vida e pelo que ele representa para Campos Belos.
Do ponto de vista histórico-antropológico, em que o homem deve ser compreendido como um todo, vivido em suas diversas formas e diversidades de mundos, “Mestre Zé” se afirma neles. Imaginamos que, os homens e as mulheres do passado construíram em seus imaginários as condições sociais e culturais para que os de hoje possam se tornar presentes. Eis que a história e a filosofia de um homem se confundem com a diversidade dos mundos justificando a essência que reclama dos fatos a construção verdades possíveis: Mestre Zé foi um homem forjado, construído e desconstruído, como ele mesmo afirmou certa vez: “A minha vida toda é fruto de um aprendizado constante, quando penso que já estou sabendo alguma coisa já existe outra melhor para substituir o meu pensamento e o meu aprendizado anterior... Os meus pais me ensinaram isso: ‘nada está pronto e acabado, tudo ainda está por pensar’”.
É aqui que esse poeta da construção civil se encontra e se encarna com a dureza do dia-a-dia entremeado com o ofício de concluir a sua obra que está para além dos sofisticados ou dos simples casarões que deram forma às pacatas ruas e avenidas de Campos Belos. Aqui, este mestre não construiu somente casas e monumentos importantes, mas edificou a sua história.
Foi um exemplo de homem e de vida que, cravada no meio dessas serras, solidarizou-se com as alegrias e tristezas de nossa gente. Entretanto, “a historia é mesmo a construtora do mundo inexato e o seu saber é tanto mais confuso quanto mais o seu poder aumenta” Le Goff (1996: 22). De fato poucos homens contribuíram tanto e de forma tão decisiva para que a vida urbana de Campos Belos fosse possível; poucos foram tão robustos em suas mentalidades para olhar e identificar a beleza natural que contorna este chão.
“Viver para o mundo, viver para um sonho que é a minha Campos Belos e morrer por minha família”, disse o mestre. Essa era a tríade fundamental da vida de um homem que soube prestar bons serviços ao seu tempo. Merecidamente a história o chamará de Mestre Zé.
* Adelino Machado é professor e Vice-diretor da Unidade Universitária de Campos Belos – Go.
** Idonizeth Alves Pereira é professor Pioneiro da Unidade Universitária de Campos Belos – Go.
MORRO DA CRUZ DE CAMPOS BELOS - GOIÁS
A igreja e o povo católicos de Campos Belos mantém viva a tradição de subir o Morro da Cruz em dia de Sexta-feira Santa.
O Morro da Cruz é trilha obrigatória para fiéis e curiosos que reforçam uma bela caminhada para o alto em busca de “descontar os pecados”, como dizemos por aqui.
Tudo começou quando um paroquiano foi confessar seus pecados e recebeu como penitência a ordem do padre para subir o morro mais alto da cidade e lá fixar uma cruz. Ele com certeza, não imaginava inventar um costume.
Há mais de cinqüenta anos camposbelenses e visitantes, católicos e outros se “sacrificam” com alegria na crosta do Morro da Cruz para, entre outras coisas, assistir o espetáculo do nascer do sol.
Atualmente não menos que mil pessoas de todas as idades, caminham em direção ao topo da montanha da cruz. Cerca de 100 delas vão em penitência, rezando e refletindo as estações da via sacra cristã.
Nesta Sexta-feira Santa de 2009, às seis horas e meia, o sol e a lua se encontraram com olhares frontais em louvor, protegendo nosso povo peregrino, que tem o privilégio de olhar a cidade completa em todo seu alvorecer.
Adelino Machado.
SEM EDUCAÇÃO NÃO HÁ CRESCIMENTO.
Desde 1984 quando nos livramos do câncer dos governos militares que corroeu, endividou e enganou nosso país por 20 anos, discursamos e esperamos desenvolvimento econômico com justiça social.
Conquistamos a democracia, o direito sagrado da livre escolha, fora do cabresto das velhas raposas, escorpiões, gaviões e cascavéis da política nacional. Estamos assistindo agora, graças à liberdade de expressão dos meios de comunicação, suas máscaras se desfazendo.
Então sentimos a sensação de outro horizonte para além deste horizonte: ver chegar até as casas das pessoas, os louros colhidos nos solstícios de verão de uma nação, forjada nos braços de um povo pacífico, paciente e esperançoso.
Necessitamos crescer! É o grito que ecoa da boca de empresários, políticos intelectuais e imprensa. Como uma criança retardada, que precisa alcançar seu melhor tamanho para desfrutar da fase seguinte da vida.
Mas o que devemos fazer para crescer? É a pergunta que os mesmos atores devem responder. Embrulhados ou não já experimentamos vários pacotes com medidas/remédio cheios de respostas afiadas. São como kits de primeiros socorros a serem usados imediatamente e curarem feridas, aliviando dores.
Neste momento histórico estamos sob o debate e a implementação do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As principais receitas deste programa são investimentos nas áreas de habitação e infra-estrutura geral, sangrias importantes a serem estancadas.
Vemos os ministros da fazenda, do planejamento, do desenvolvimento, da integração, das cidades, presidente do Banco Central, economistas ligados ao governo ou não, se mobilizando para dar credibilidade ao “PAC” e promover o tão sonhado crescimento econômico do país.
Mas o ministro mais importante de qualquer governo, no entanto, necessita ser o da Educação, não só para instalar programas como o FUNDEB _ Fundo Nacional da Educação Básica, que acrescenta quatro milhões de reais à educação, mas dobra seu raio de abrangência. Sabe-se que o dinheiro que custeia o Ensino Fundamental, acrescido desta quantia, custeará agora Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio.
Qualquer crescimento requer menos discurso e mais educação e, por educação clama toda a população brasileira. Não pelo simples crescimento, como se fosse um bolo em processo de fermentação. Mas com preparação, planejamento e racionalidade – ingredientes promotores do melhor fatiamento da riqueza nacional.
Por melhores escolas reclamam comunidades distantes de grotões e aldeias que são transportados, espremidos em conduções desumanas. Antes da energia elétrica para estimular o consumo, da ponte para levar o progresso, até mesmo do prédio para fazer sombra artificial à escola, é preciso chegar o professor qualificado e remunerado dignamente, para ajudar construir tudo.
Por investimento em educação, esperam educadores que ousam fazê-la desde os mais remotos tempos, com idealismo, desprendimento e fé, diariamente, em todas as cidades desta nação, percorrendo às vezes duas escolas ou mais para completar sua carga horária.
O maior e mais seguro crescimento passaria inicialmente pelo fortalecimento da escola como lugar eficaz de aprendizagem e elaboração de um outro cidadão - não violento e esclarecido de suas obrigações e direitos.
Além do Programa de Aceleração do Crescimento do governo atual, o Brasil tem hoje suficientes programas de saúde, segurança, formação, inclusão e alfabetização. O que falta é um programa para a “bolsa da professora” e outro para o “bolso do professor”. Dois programas que necessitam ser eficientes a tal ponto que propicie uma correção histórica e até indenizatória para com esse profissional.
Um governo, municipal, estadual ou federal que cuidar neste sentido do professor, está cuidando do estudante, que é o resultado esperado do investimento na educação. Valor humano que os países desenvolvidos já conceberam e empreenderam para elevarem a qualidade de vida de suas populações e atingirem a estabilidade econômica.
Conclui-se que sem educação não há crescimento nem desenvolvimento e não há educação sem fazer crescer as consciências de nossos políticos, empresários e intelectuais. É uma pena que o interesse próprio, o nepotismo, a corrupção e o protecionismo ainda insistem arraigados na cultura de grande parte de nossos governantes e proprietários dos meios de produção.
Para saudar as conquistas de um país democrático e desejar seu crescimento há que se concentrar acreditar e pisar no acelerador, na corrida por uma melhor e qualitativa educação dos nossos filhos e dos filhos do Brasil. Porque sem educação, meu caro, não haverá crescimento com equidade.
*Adelino Machado é professor e vice-diretor da Universidade Estadual de Goiás Unidade Universitária de Campos Belos - Goiás.
DOM MOREIRA DO TOCANTINS: FÉ E ESPERANÇA NO POVO DE DEUS.
Adelino Machado*
No principiar do último ano da primeira década do século XXI, ainda nos resta acreditar na fé de homens que se constroem para construir melhor o mundo. Em cada canto deste imenso país, no anonimato das pequenas cidades, nos longínquos lugares, surgem fios luminosos de esperança para o povo de Deus.
Assim, na minúscula cidade de Ponte Alta do Tocantins, de uma família humilde, regada e fertilizada com a mais pura essência do Evangelho, nasceu um homem para a vida. Um jovem sorridente e tagarela, destinado a plantar e a colher: a plantar sementes de fé e colher lavouras de homens e mulheres para a plenitude cristã.
O seminarista Moreira, não se enclausurou nos escombros de uma falsa e tradicional moralidade, mas se descontrai a todo o momento na dinâmica de um mundo carente de alegria. Ele seguiu os passos de Alano Maria Du Noday - bispo precursor da caridade e educação católica no Norte Goiano (depois sudeste do Tocantins e Nordeste de Goiás). Mesmo nos duros embates e sofrendo as dores da injustiça, Moreira se mantém efusivo e sereno, como seu mestre.
Já o padre José Moreira é um comprometido zelador pela verdade do Evangelho de Jesus na Igreja Católica; empreiteiro da esperança, colhida nos rostos de crianças e de viúvas, bem como na desesperança dos socialmente desalojados do sistema político, que pregando a prosperidade, perpetua a incerteza instituída na corrupção.
A fé do padre Moreira contagiou os fiéis e transformou a vida de muita gente na paróquia Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Campos Belos - Goiás, em 12 anos de lida eclesiástica, (1984 - 1996). Aqui ele estruturou uma igreja forte, alicerçada nos valores da família e numa juventude esclarecida e crítica. Sua crença se estabeleceu na força da população, através das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), onde a igreja fermenta e se alimenta da fome do povo.
Nos rincões de Goiás, na mais distante cidade da capital, no mais abandonado dos municípios, por guardar os resquícios de desprezo do esquecido Norte Goiano, padre Moreira semeou grãos de mostarda cristãos. Os paroquianos de Campos Belos se confortam nas suas palavras, na sua sabedoria, na sua capacidade de perdoar e construir.
O padre Moreira não é um homem de grandes viagens, da ilusão de extensos discursos ou da lentidão de intermináveis congressos. Mas de simples ações que se infinitam no coração dos menores do reino de Deus. Ele chora de emoção com as conquistas sociais dos fiéis, com a alegria dos casamentos e batizados de sua gente. Reserva seu precioso tempo ao serviço de base e acabamento do reino dos céus, aqui mesmo na terra.
No auge dos 55 anos, José Moreira da Silva é um exemplo de homem que sai de sua terra para cumprir o chamado de Deus, numa igreja que clama pela paz no mundo, quando ele mais necessita dela. Sua origem remanesce à pacata Ponte Alta, região do árido Jalapão tocantinense. Ele é um dos aproximadamente 6.600 habitantes daquele quase centenário município.
Agora, Dom Moreira assume um grande desafio episcopal. Sua primeira Diocese tem sede em Januária - norte de Minas Gerais, município de 65 mil habitantes. Ele cuidará de um rebanho espalhado numa região de mais de 38 mil quilômetros quadrados. Seu pastoreio é a continuação de seu trabalho num terreno já regado pela igreja.
A singela Ponte Alta, encravada no interior do Tocantins deu a luz para o mundo, entre seus humildes munícipes. E, Januária de Minas recebe de presente Dom Moreira, jovem desbravador e fiel escoteiro do Evangelho, homem de trajetória exemplar a outros homens, pois resplandece infinito amor pela obra de Cristo e pela libertação de seu povo.
O jovem/homem Dom Moreira agora é o fio de ligação entre as mais íngremes regiões do Brasil e Roma - capital da fé católica - onde há de perdurar a luz do Cristo Ressuscitado, trazendo melhores dias para a humanidade. A fé e a esperança no povo de Deus, fazem de Dom Moreira uma inabalável fonte de luta na estrada da vida.
* Adelino Soares Santos Machado - professor e vice-diretor da UEG - Unidade Universitária de Campos Belos - Goiás. adelinomachado@ueg.br
Pedagogos 10 anos: Identidade e Construção.
Encontro da VI turma de Pedagogia da Universidade Estadual do Tocantins - Campus Universitário de Arraias - TO. (Alunos e professores). Data 28 de julho de 2009. Local: (recebendo sugestões). Valor da contribuição R$ 50,00. Responsável: Ivany.
A quinta turma de pedagogia da Unitins de Arraias é uma turma marcante na vida da própria Universidade. A turma tem uma composição étnica, religiosa, política e cultural muito interessante. Também compoe-se de pessoas de diversas localidades e especialidades. Uma das figuras exóticas, que carinhosamente a chamamos de mãezona é Ivani, uma senhora muito chique e romãntica, capaz de nos proteger em todos os sentidos, o que ela fez durante os 4 anos em aventuramos no campus Universitário de Arraias. Nesse espaço podemos trocar informações sobre as figuras de nossa turma, que quizer pode escrever sobre um dos colegas. Esse material será guardado para ser "analizado e discutido" no nosso encontro de 10 anos, neste ano. Abraços e Feliz Ano Novo, são os votos de Adelino Machado.
CHEGANDO O NATAL, MAIS UMA VERGONHA NACIONAL.
Depois de cobrir o rosto em frente à tevê e os jornais diante da infeliz atitude de brasileiros furtando donativos destinados aos desabrigados no Estado de Santa Catarina, estamos de novo estarrecidos.
Outros brasileiros, agora de terno e gravata, tentando furtar o dinheiro de outros milhões de brasileiros. Com a constituição em punho parte de nossos congressistas querem aumentar o número de vereadores no país.
Assistimos a uma tentativa "legal" de confiscar mais ainda o dinheiro dos milhões que pagamos de impostos. Enquanto faltam médicos, enfermeiros, remédios e assistência social, querem engravatar mais vereadores para consumirem dinheiro público.
Qual a utilidade de um vereador, num país em que as pessoas morrem nos hospitais e fora deles, por falta de cuidados básicos? Para que serve um vereador num país em que os professores adoecem por excesso de trabalho e ganham salários vergonhosos?
Ao ser anunciado pelo Congresso Nacional o aumento do número de vereadores, começou país a fora festejos para dar posse a mais esses "trabalhadores" / despesas para os municípios. Por que não se faz uma lei para melhorar a qualidade dos vereadores? Por que não se impede que o povo analfabeto eleja vereadores analfabetos e semi-analfabetos? É uma vergonha nacional o nível de escolaridade dos vereadores.
Como discutir, elaborar e aprovar leis, fiscalizar e zelar pelo dinheiro do povo, se grande parte dos vereadores mal sabe assinar seus nomes para receber gordos salários no final do mês?
Um vereador custa muito mais que um professor que trabalha 40 horas e atua na educação de 40 meninos. Um vereador custa muito mais que uma enfermeira que trabalha também 40 horas cuidando das feridas de um povo tão sofrido num país tão injusto.
Senhores deputados, senadores e políticos em geral, não nos matem de vergonha! Basta vocês que já são constituídos para lapidar o Estado e, na calada da noite conchavam maior apropriação do dinheiro do povo.
Mas já que estão aí, garantidos por lei, olhem para as crianças que estão entregues ao tráfico, lembrem-se dos idosos abandonados pelas suas famílias, procurem trabalhar para desenvergonhar o país e aqueles que os elegeram.
Mesmo assim desejamos-lhes um Feliz Natal! Mas que não aproveitem do apagar das velhinhas do natal e do velório do velho ano, para aprovar mais medidas vergonhosas para 2009.
Adelino Machado
AVELINO ANTONIO MENDES: UM HOMEM PELA EDUCAÇÃO E PELA PARTICIPAÇÃO.
O município de Campos Belos-Go teve desenvolvimento vertiginoso, em todas as áreas da administração pública graças à participação e esforço de homens como o senhor Avelino Antonio Mendes, político, pai e avô exemplar. Senhor Avelino, a quem rendo essa simples homenagem, escolheu esta pequena cidade plantada no meio dos morros da Cruz, dos Gerais e dos Buritis, para sua pátria e morada definitiva.
Avelino Antonio Mendes nasceu em plena primavera, no dia 18 de setembro de 1927, na cidade de Ibipitanga Estado da Bahia. É um dos pioneiros de Campos Belos, na luta pela melhoria e reconhecimento da cidade, como Pólo Regional. É o único líder do município que ocupou todos os cargos políticos, no âmbito do legislativo e do executivo. Foi vereador por dois mandatos e Presidente da Câmara; foi vice e depois prefeito da cidade, além de ter liderado e presidido o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
Destaco nesta homenagem, sua luta pela educação, principalmente quando o assunto foi manter e equipar as escolas rurais para aqueles que estavam distante dos recursos pedagógicos, financeiros e de infra-estrutura que sempre chegam primeiro à zona urbana. As escolas rurais recebiam um carinho especial do prefeito Avelino Antonio Mendes. Ele enfrentou chuva, poeira e lama para dar suporte a elas, nos quatro cantos do município.
Onde tivesse uma comunidade, uma família, uma criança em idade escolar, lá, na pessoa do senhor prefeito Avelino Antonio Mendes, comparecia toda a estrutura do governo municipal, com o intuito de oferecer o melhor pela educação daquele povo, ainda que estivesse no mais longínquo grotão. “Seu Avelininho”, como era carinhosamente chamado, me disse certa vez que “visitava escolas que agente tinha que atravessar uma pinguela, andar a pé, para chegar até o local daquela escola”.
Sensível, democrático e sempre aberto ao diálogo, “seu” Avelino Antonio Mendes sempre apoiou os movimentos que originaram da comunidade. Assim foi em 1987, no povoado Barreirão, quando realizamos um movimento de limpeza no povoado sem a autorização da prefeitura, tentando desafiar o poder público municipal. Convidamos o prefeito para participar de um forró tocado a sanfona, para comemorar aquele movimento. Para nossa surpresa, ao invés de uma repreensão, “seu” Avelino fez o seguinte discurso: “parabenizo a todos pela iniciativa. Estou aqui como prefeito, para apoiar e colaborar, no que for preciso. O que tiver faltado eu ajudarei. A prefeitura de Campos Belos está de portas abertas para todas as sugestões e iniciativas da comunidade”.
Ainda no povoado Barreirão, quando o MOBRAL foi extinto, veio a FUNDAÇÃO EDUCAR, para que as pessoas alfabetizadas naquele programa dessem continuidade aos estudos. O senhor prefeito Avelino Antonio Mendes pediu então que a comunidade escolhesse um professor à altura para aquele cargo. A comunidade sugeriu o nome de João Justino Alves, conhecido como João Piaba. Esse cidadão era de fora e estava sendo acusado de impostor e comunista, pois defendia a idéia de uma educação democrática e socialista. No que dependeu do prefeito a vontade da comunidade foi atendida, mesmo contra a vontade de alguns, e o professor foi contratado.
Para dar continuidade à escola da comunidade Sucupira em 1986, que estava sem professor, o prefeito Avelino reuniu a comunidade da redondeza e pediu que eles escolhessem aquele que melhor lhes atendesse como professor de seus filhos. Reunidos pais, mães e estudantes escolheram Manoel Neves de Souza, que a partir de então recebeu a alcunha de “Manel Professor”. Pegou de surpresa aquele jovem que passou a ensinar pessoas que tinham sido colega dele.
O nome de Avelino Antonio Mendes além da eternidade fica escrito na história desta cidade, como exemplo de luta, coragem e honestidade. Juntamente com dona Cassimira Francisca de Oliveira Mendes, “seu” Avelino criou na fé e na retidão católica oito filhos, um neto e muitos outros “filhos” e afilhados, pessoas que receberam carinho e amizade de um líder, combativo, aguerrido, mas também meigo e amigo das horas de maior necessidade.
“Seu” Avelino é um homem do povo, que deixa esse povo órfão, mas também confortados pelo seu exemplo e dedicação.
Adelino Machado – Professor, Vice-diretor da Unidade Universitária de Campos Belos – Goiás. Aos 17 de novembro de 2008.
|
|
||
|
||
|
|
||
|